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Artigo: “Lula e a Guerra na Ucrânia”

O presidente Lula acerta em visitar a China, nação que desponta como a maior potência comercial nas próximas décadas, erra, porém, em opinar sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e querer mediar o conflito.     Do ponto de vista da boa política diplomática, opinar sobre guerra é um negócio complicado, agora imagine fazer juízo de valor sobre culpados. Neste sentido, considero precipitada e desnecessária essa fala de Lula. Seu argumento de que  a Ucrânia “não pode querer tudo” é de um vazio geopolítico sem explicação, que mereceu bem a resposta de Zelenski. Claro, não tem sentido a Rússia anexar a Crimeia e depois provocar uma guerra para legitimar sua arbitrariedade.     Depois, com todo o respeito a quem diverge, o Brasil não tem condições, no momento, de figurar como mediador desse conflito, não tem respaldo internacional, e aqui concordo com ex-ministro Rubens Ricúpero. O Brasil não fez a lição de casa.     Infelizmente, nosso país anda de escândalo em escândalo. Temos uma democracia cambaleante. Em poucos anos, dois impeachments. Presidentes prisioneiros. Discutam-se legalidade e legitimidade dessas extremas medidas, e a balança pesará contra o Brasil de qualquer modo, pois, justas, estaríamos à época sob governos ímpios; injustas, e eis um sistema judiciário inconfiável, capaz de trancafiar mandatários máximos da Nação sem a devida segurança jurídica.     Ademais, um país que não consegue proteger seu próprio patrimônio, mas permite a depredação de suas principais Casas, servindo de execração política ao mundo, não pode vir agora, três meses depois, posar de bom mocinho. Piegas. Risível.     O Brasil figura no cenário mundial com altos índices de corrupção, torturas, trabalho análogo à escravidão, baixa renda, maior taxa de juros do planeta, aniquilamento de suas etnias indígenas, feminicídio, déficit habitacional, negação de direitos humanos, racismo, et cetera, etc.     O presidente Lula precisa focar no Brasil e toda boa política internacional. Mexer com guerra não é um bom negócio mesmo. Provocar os Estados Unidos pra quê? Receber embaixador russo traz alguma vantagem neste momento para o Brasil? Claro que não.    Além do mais, fazer comércio com a China, tudo bem, a priori. Porém, imiscuir-se a fundo na política chinesa, coisa completamente diferente. Quem insiste em falar em direitos humanos dentro do Brasil, não pode acariciar líderes notórios em negar esses mesmos direitos em seus territórios. O contrário é demagogia. Para ser um país sério e respeitado, o Brasil precisa parar  de afagar opressores e tratar o mundo em idênticas condições humanitárias.
Rui Raiol é escritor e membro da Academia Vigiense de Letras 

Publicado no jornal O Liberal em 18/04/2023

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