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Artigo: “Universo estacionário”

A ideia de um Universo estacionário persiste. Afora os estudiosos do Cosmos, penso que a maioria esmagadora da humanidade imagina que o Universo é algo quase estático. Muito embora convivamos com o movimento do Sol, da Terra, e demais astros, a sequencia de dias e noites produzem em nós uma falsa ideia de quietude.

Certamente, está na religião cristã uma das formas mais acentuadas dessa visão estática. Não obstante a grande massa cristã seja criacionista, a ideia de uma Criação pronta e acabada induz à mesma visão comum. Lendo o relato do Gênesis, o passo a passo dessa criação finaliza cada dia com a seguinte chancela: “E viu Deus que tudo era bom”. Penso que é justamente aqui que reside o cerne desse pensamento estacionário acerca do Universo.

                Deus fez o mundo e ele está pronto. Acabou. Isso é coisa do passado. É assim que a maioria dos cristãos se relaciona com o Deus Criador. Apesar de o Universo representar a demonstração mais evidente da grandeza divina, bilhões de galáxias, com seus bilhões de estrelas não conseguem nos dizer que a ideia de um Universo estacionário é falsa. Diariamente lá vem o Sol. Vindo à noite, virão as estrelas e todos os meses a Lua. A maré enche e vaza. A chuva cai e para. É assim que a repetição dos movimentos celestes nos induz também a essa visão estática.

Na verdade, o Universo está vivo, não é apenas coisa do passado. Na verdade, o passado do Universo é história, a nossa macro história, apenas isto. Todas  as leis do Universo valem para nós agora como se elas acabassem de ter sido formuladas. Estrelas nascem agora. Estrelas morrem agora. Olhe para a constelação do Órion (Três Marias), e eis ali juntinho um berçário de estrelas. Milhares. Olhe para Lua e depois baixe seus olhos para o mar, e conclua que o movimento da maré tem relação direta com o nosso satélite natural. O oxigênio livre que respiramos é o descarte da fotossíntese, o que significa dizer que a nossa vida humana provém da vida das plantas. Nada está parado. Nem na escala macro nem na escala micro. O Universo está vivo.

                 Estamos agora correndo a milhares de quilômetros por hora nesta nave chamada Terra. Para todos agora, o Universo acabou de ser criado, e nós vamos junto com ele. É muito poder para mover tantos mundos, tanta matéria, tanta energia. 

                 O Universo está vivo, pulsando. Não se trata de um Cosmos concluído. Apenas foi dado o sinal de largada. A vida está em movimento. E, nesse misterioso mundo de bilhões e bilhões de astros, somos a única forma de vida inteligente conhecida, a vida que tem a Terra como o único endereço conhecido no Cosmos.

Rui Raiol é escritor

Publicado no jornal O Liberal em 23/11/2021

E-mail: ruiraiol@gmail.com