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Artigo: “A perspectiva do mal”

     

     Ter a mente aberta ao conhecimento  não é uma virtude de muitos. Enquanto alguns se predispõem a “pensar o próprio pensamento“, no dizer filosófico, outros fecham-se hermeticamente ao novo.   

  O mundo, em si, é neutro, somos  nós que  o interpretamos a partir das nossas lentes mentais. Isto vale para o macro e para o microscópico. Somos nós que nominamos e classificamos o mundo, e fazemos isto a partir de nosso particular mundo de valores, segundo nossa escala imposta como verdade perante bilhões e bilhões de estrelas silentes. 

       Além da simples visão fechada ao conhecimento novo, o que mais tem aterrorizado o mundo é o prisma sectário perverso de alguns. Para mim, alguns veem o mundo por uma perspectiva do mal. Tais  pessoas podem estar em um paraíso cercado de rosas, porém, só enxergam os espinhos. Esses atores do mundo o enxergam única e exclusivamente pela perspectiva do mal.      

Tenhamos muito cuidado com “visionários” assim. Eles têm apenas uma lente: uma lente obscura, uma lente invertida, que, ao invés de nos informar uma visão de mundo, reflete o mundo sombrio de seus próprios pensamentos doentios. Não raro, tais pessoas são capazes de “enxergar“ o que outros não veem, mas não nos iludamos: são visões fantasmagóricas, completamente dissociadas da realidade.   

    Pela perspectiva do mal, tudo que não é nosso não presta. A perspectiva do mal é extremamente sectária, individualista e preconceituosa. A perspectiva do mal está pronta para “lançar ao Inferno“ tudo que não fizer parte do seu grupo, considerado um anátema. Cuidado! A tolerância é a regra áurea das pessoas de bem. Nobre é todo homem que, mesmo discordando de seu semelhante, está pronto a ajudar se preciso. Nobre é quem consegue conviver com o “inimigo”sem maltratá-lo.

Rui Raiol é escritor
Publicado no jornal O Liberal em 14/09/2021

E-mail: ruiraiol@gmail.com