APENAS UM VASO DE BARRO

Nasci em Vigia, uma pequena cidade da região nordeste do Estado do Pará distante cerca de 100 km de Belém. Cresci fora do lar, sob os cuidados de minha avó materna, que faleceu quanto eu tinha 11 anos de idade

Vigia foi catequisada pelos jesuítas no Século XVII e, portanto, tem forte influência católica. Foi ali, na igreja Madre de Deus, edificada pelos seguidores de Inácio de Loyola, que tomei conhecimento a respeito de um Deus todo-poderoso.

Aos 15 anos, com uma sede maior de conhecer a esse Deus, fui levado pessoalmente a ler a Bíblia. Aos poucos, fui experimentando uma transformação e abandonando hábitos mundanos que começava a adquirir, como beber e fumar.

No dia 14 de maio de 1978, entreguei meu coração a Cristo no templo da Assembleia de Deus em Vigia. E em julho desse mesmo ano, enquanto orava, recebi o poderoso batismo com o Espírito Santo. A presença de Deus era tão real nesses primeiros dias que por muitas vezes senti meus pés não tocarem o chão.

Em outubro de 1995, uma doença desconhecida me vitimou. Os médicos diagnosticaram um tipo severo de anemia e, passados seis meses, consideraram que não havia mais chance de cura.

Todavia, algo de muito especial havia acontecido comigo nesses 33 anos de vida cristã: o Espírito Santo me ensinara a orar. E foi exatamente o que fiz com mais frequência quando os médicos me mandaram para casa por quase dois anos.

Orando, certa tarde o mesmo Espírito veio a mim e ordenou que escrevesse um livro sobre cura divina. Na obra, não deveria falar de meu estado, apenas referir sobre o poder de Deus.

Em 1999, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus – CPAD – publicou o livro “Cura Divina – Promessa Atual”. Quando isso aconteceu, eu já estava são. O Deus todo-poderoso havia me sarado no silêncio das páginas do livro, enquanto a obra era editada.

Sem conviver com meus pais, a vida ficou muito difícil após a morte de minha avó. Entre a adolescência e a juventude mudei cerca de 30 vezes de endereço. Algumas vezes, expulso. Porém, o Deus que me acolhera jamais me abandonou. Ele tomou minhas mãos e levou-me a cursar duas faculdades, fazendo-me a promessa que haveria de ser professor universitário ao concluir o curso de Direito.

Enquanto estava desenganado, Deus cumpriu sua promessa. Fui aprovado em concurso público de carreira para professor de Direito Comercial na Fundação Universidade Federal do Amapá – UNIFAP e, em primeiro lugar, para professor de Direito Penal na Universidade Federal do Pará – UFPA, onde fui empossado.

Um ano depois da posse, pedi exoneração da UFPA para me dedicar um pouco mais a esse Deus de amor.
Depois da cura, fui renunciando tudo quanto possível para servir a Deus. Junto com a cátedra, abdiquei de qualquer sonho de ser magistrado ou outro posto importante. Continuo trabalhando para viver, como funcionário público há mais de 30 anos, porém meu projeto de vida é servir a Deus todos os dias.

Nesse andar da obra de Deus em minha vida, o Espírito Santo tem sido cada vez mais presente. Passados 30 anos daquele inesquecível 14 de maio, a presença do Senhor é algo marcante em meu caminho. Considero-me um dos homens mais felizes da Terra. Não acumulei tesouros humanos, mas o Reino celestial tem sido riquíssimo em minhas jornadas.

No ano de 2006, o Espírito Santo falou comigo enquanto eu orava e me ordenou que organizasse um ministério de oração e evangelização. Nascia ali o Ministério Evangelístico Amigos da Oração, uma obra extraordinária.

Não tenho outra ambição neste mundo, a não ser andar bem pertinho de Jesus e comunicar uma mensagem que fale de seu magnífico amor. Para mim, primeiro Jesus, depois a Igreja. Primeiro o Senhor – Ele mesmo! Depois o serviço cristão.