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Quem será o Presidente

Publiquei nas mídias sociais um palpite sobre o resultado desta eleição para presidente. Lula ainda sonhava em concorrer. Fernando Haddad era uma sombra no sopé da pirâmide das pesquisas. Bolsonaro estava íntegro. Disse naquela ocasião que, na qualidade de mero observador, eu acreditava que Alckmin ou Haddad venceria a eleição. Imediatamente, uma turba enfurecida xingou-me sem piedade, o que me levou a recorrer a um moderador nessas páginas virtuais.

Às vezes, ousamos pensar nas redes sociais, porém, muitos não pensam, são máquinas de zombar. Entre perfis falsos e robôs, existe muita gente de carne e osso capaz de ir às últimas consequências. Lamentável! A Internet é uma grande vitrine onde muitos destilam ódio e intolerância.

Minha modesta opinião no comecinho da campanha vem de uma leitura de contexto. Os grandes partidos obtiveram o maior tempo em rádio e televisão, obtiveram a maior verba do financiamento público. Além disto, PT, PSDB e MDB são os protagonistas do espaço político brasileiro há décadas. Essas siglas têm um trabalho consolidado em matéria de estratégia eleitoral, têm os maiores redutos e governam há muitos anos.

Foi pensando assim, e considerando também a habilidade pessoal dos candidatos desses velhos partidos, que cheguei àquela conclusão preliminar. Hoje, a previsão está se delineando, pelo menos para Fernando Haddad, que saltou quase do nada para 17,6%, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada ontem.

Se observarmos o fator ‘Lula’, não existem surpresas com a candidatura de Haddad. Lula sempre liderou as pesquisas. O fato de tentar concorrer até o último segundo o manteve vivo, bem como vivíssimo todo aquele que por ele fosse credenciado. Sem entrar no mérito da condenação de Lula, o ex-presidente é um verdadeiro mito na política brasileira. Sua biografia até chegar à Presidência encanta a muitos. Além disto, Lula, que dizem ser rico, jamais assumiu o perfil de um milionário. Desprezando terno e gravata, com a barba por fazer e o cabelo despenteado, a imagem de Lula continua sendo de um trabalhador, suado, “sem tempo” para cuidar de si mesmo, realidade de muitos brasileiros e brasileiras.

Por sua vez, a prisão de Lula concorre a favor dele. Até um comitê da ONU pediu que Lula concorresse, fato que, para a nossa surpresa, ganhou a solidariedade e o voto de nada mais, nada menos, que Edson Fachin, o ministro linha dura da Lava Jato.

A campanha do PT começou naquela tarde no sindicato dos metalúrgicos de São Paulo. A resistência à ordem judicial de apresentação espontânea, o cerco ao sindicato, a entrega de Lula à Polícia Federal, enfim, tudo foi uma grande produção cinematográfica. Essas imagens tendem a ficar gravadas na memória eleitoral de aliados e simpatizantes. Então, acontece um fenômeno estranho à política: a empatia pelo candidato passa a ter conotação de um amor semelhante à relação mãe-filho, quando a mãe, mesmo reconhecendo para si que determinado filho possa ter errado, permanece solidária ao seu rebento para o que der e vier, sempre acreditando que seu fruto é uma boa pessoa.

Bem, não sou cientista político nem sociólogo, apenas observo fatos. Mas, o Brasil vai demonstrando que a Justiça não consegue calar de vez um partido quando seu líder atingiu esse nível de carisma com parte da população. A eleição de Bolsonaro para o primeiro turno é praticamente um fato consumado. Agora, quem for com ele para a nova eleição deverá vencê-lo. A razão?

Bolsonaro ficará sem alianças. Esquerda e centro se articularão. PSDB, MDB e PT trabalham juntos quando conveniente. Ninguém quer ficar fora do novo governo. A partilha do Brasil deve continuar, alcançando o primeiro, o segundo e o terceiro escalão. Quem não compreendeu isto, não chegará. Para isto, observe que as críticas atuais entre essas siglas são um tanto veladas. Ciro Gomes fez questão de dizer no primeiro debate que é amigo de Alckmin.

Apenas para registro, deixei o post sobre Alckmin e Haddad nas páginas virtuais. É só uma opinião. Quem quiser discordar, fique à vontade, apenas observe a educação e o respeito, pois minha análise é de eleitor que ainda não tem candidato a presidente.

Rui Raiol é escritor.