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O monstro da política

A internet adiantou a corrida presidencial em alguns meses. Desde janeiro pelo menos, o Brasil tem “escolhido” seus candidatos. Ledo engano! A campanha ainda não começou.

Bolsonaro saiu na frente e “venceu” fácil todos os adversários, “ganhou” com mais de oitenta por cento dos votos. Observando a festa pelas redes sociais, penso que essa vitória midiática antecipada pode custar muito caro ao candidato do PSL. Parece-me que Bolsonaro não tem mais o que dizer, pois as mídias sociais já abriram as urnas há tempo. Na verdade, agora que o monstro vai ser solto.

O tempo de propaganda na TV será decisivo nesta campanha. Não obstante a força das redes sociais, o formato das eleições no Brasil está decidido pelo rádio e televisão há muito tempo. São esses veículos oficiais que desenham a cara da fera. Neste aspecto, Bolsonaro chega com grande desvantagem porque sua aparição será um relâmpago perante as poderosas siglas do PT , PSDB e suas devidas coligações.

Já deu para saber que as redes sociais não emprestam a seriedade necessária que deve pautar uma eleição geral como esta. Se o espaço oficial de rádio e TV ainda sofre críticas quanto à veracidade de algumas propostas, imagine isso no traiçoeiro mar da internet, onde, apesar de todo o trabalho dos milionários donos da rede, fake news ainda são um dos principais cardumes desse oceano.

Ninguém vencerá esta eleição sem fazer política. E política pressupõe alianças, acordos, alguns compromissos expressos e tantos outros velados. Parece-me este o desafio de Jair Bolsonaro. Os grandes partidos não querem nada com ele, podendo ceder apenas num hipotético segundo turno. Mas, para vencer, Bolsonaro terá de entrar no jogo, no tititi, naquele cochicho anátema onde os maus políticos mastigam os princípios constitucionais da moralidade e do interesse público.

A fera vai mostrar a cara no dia 31 de agosto, quando começa a propaganda no rádio e TV. Antes, será permitido usar a internet, mas apenas de modo orgânico, ou seja, não pago. E não será muito diferente do que estamos assistindo nesta fase de apresentação de alguns nomes.

O monstro da política sabe ganhar eleição. Ele tem a senha secreta que enfeitiça o povo. Não se assustem se a popularidade do MDB disparar. Não estranhem o PT, pois é um dos maiores especialistas dessa monstruosidade eleitoral. Mesmo preso e sem concorrer provavelmente, Lula continuará influenciando e muito.

A fera tucana vai voar para arrebatar mais uma vez a presa. Já fez isso com FHC. Pairou em São Paulo há muito tempo e não permite a aproximação de outros predadores. É difícil ganhar desse povo, refiro-me às grandes feras, que têm dominado o território eleitoral com unhas e dentes.

Política não é mar para peixinhos de aquário. O ambiente é hostil até a anjos decaídos. Lúcifer irrita-se fácil. Não adianta ser honesto para vencer eleição. Eleição no Brasil não investiga honestidade. Temos uma polarização de feras nesse terreno, há anos tem sido assim.

O que poderia mudar? O voto. Porém, o brasileiro parece não entender ainda o que significa votar. A ideia é que uma andorinha só não faz verão. A ideia é que a eleição é coisa de milhões de votos, não do meu, não do seu voto. Os monstros da política adoram isso! Investem pesado no emocional. Teatralizam. Rostos modelados que nunca vimos agora vêm nos enfeitiçar sobre este ou aquele candidato. Saíram os cantores dos showmícios, entraram os atores, as atrizes da mídia com perfeita articulação.

Bobagem quem pensa ganhar com ideais. O brasileiro não presta atenção nesse discurso. Ganha quem tem o que mostrar, quem governou ou governa, e estou falando de partidos, não de feras isoladas. O partido empresta seu patrimônio político a quem acabou de ingressar no jogo com chance de ganhar. Então, contaremos os quilômetros asfaltados das nossas estradas, esquecendo de tantas outras intrafegáveis. Então, temos grandes obras, vitrines que escondem o que falta fazer.

Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)