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Basta um pecador

 “Um só pecador destrói muitos bens”. Esta sabedoria registrada no livro de Eclesiastes explica o drama que a humanidade tem enfrentado no decurso do tempo. Ainda hoje, podemos imaginar que a desgraça oriunda da mão humana requeira agentes múltiplos, seja no menor ajuntamento humano, seja no mais numeroso grupo de indivíduos.

             Um só pecador, vale dizer: uma única pessoa ruim tem poder capaz de destruir muitos bens. Quantas famílias e suas gerações têm sido destruídas pela ação irresponsável de certa pessoa que se intromete na relação conjugal?

             A história de pessoas dependentes de drogas e outras mazelas pode ser sintetizada na aparição de determinado sujeito que apresentou a vítima ao mundo do tráfico, por exemplo. Basta um agente perverso para que resultados tenebrosos possam ser produzidos na vida de outrem.

             O que dizer da ação política do homem? Desde que o mundo existe, bilhões de pessoas têm sido afetadas diretamente pela ação individual de certos sujeitos. Assim tem sido desde sempre. Geralmente, nosso olhar recai sobre a aglomeração do poder, por exemplo, um olhar sobre o poder de exércitos.

             Todavia, as milícias do antigo Império Romano não eram uma força em si mesma, havia um comando. Um homem podia manobrar centenas de milhares de soldados para um lado e para o outro. Porém, por detrás de carros e cavaleiros de guerra, escondia-se a mão do imperador. Um só pecador destrói muitos bens.

             A cada dia, fico impactado pelo poder quando este é mau utilizado. Um homem ímpio, sem temor de Deus nem de homens pode ser capaz de até aniquilar o mundo. Olhamos o desenho atual das nações, e vemos isto. Países entram em derrocada política e social, suas populações podem quase ser dizimadas pela mão de um único pecador, no sentido mais amplo possível desta terminologia.

             Por que não se detém o poder de personalidades assim? Porque tais homens escondem-se atrás das armas. Todo tirano é um homem armado, disposto a levar suas ações às últimas consequências. Basta um pecador no lar para que este desmorone. Basta um pecador no topo da hierarquia no trabalho, e eis trabalhadores em risco. Basta um ímpio no comando de uma nação, então a desgraça encontra-se instalada.

             Essa deformação de personalidade explica a mazela do mundo. Explica o Brasil, porquanto ímpios dominam muitas importantes funções políticas e sociais. Vejamos uma demonstração desse poder nos últimos fatos envolvendo Síria e Estados Unidos. O poder individual é suficiente para lançar prováveis armas químicas sobre a própria população. Por outro lado, o bloco liderado pelos EUA envia uma resposta bélica pela mão de um homem. No caso do Reino Unido, nem o parlamento foi ouvido. Decisão unilateral.

             Nossa vigilância deve apontar para que jamais você e eu venhamos a cumprir essa lei bíblica. Se apenas um pecador é suficiente para produzir muitos males, nós queremos muito mais estar do lado oposto a esse comando. Vamos nos esforçar para que sejamos agentes inversos dessa lei. Logo, se um só pecador destrói muitos bens, deve ser que um só justo é capaz de uma excelente produtividade em matéria de bem.

             Mais uma vez, o valor individual está na base de grandes realizações. Não esperemos que muita gente junte-se a nós. Enquanto mal tem o poder de arregimentar forças para cumprir seu fatídico desiderato, nós outros temos consciência que a construção de coisas boas tem uma característica centrípeta.

Rui Raiol é escritor

Site: www.ruiraiol.com.br