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Julgado pelo Tribunal de Contas

A poucos meses de completar cinquenta e cinco anos, fui julgado pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará. Foi o meu primeiro julgamento por essa corte e também a primeira vez que um órgão colegiado se manifesta sobre a minha conduta.

Quinta-feira passada, um oficial do Tribunal de Contas do Estado do Pará compareceu ao nosso modesto escritório para me notificar do julgamento. No momento, eu não estava presente, atendeu a funcionária que está está conosco há vários anos, a qual lida diariamente com a nossa contabilidade. No espaço, tenho a sala onde escrevo, faço rádio e televisão. Mas, principalmente, funciona ali o escritório pastoral, onde recebo pessoas diariamente para aconselhamento e orações. A contabilidade a que me referi envolve essas atividades pastorais.

Fui informado sobre a visita do oficial do TCE por meio do celular. Uma foto anexada apresentava o brasão do Estado do Pará cuja águia no topo do símbolo máximo logo me confirmou a seriedade daquela missiva. Subitamente, minha consciência indagou o que eu tinha feito de errado. Por que o Tribunal de Contas do Estado do Pará enviaria um oficial até nosso escritório para me notificar? Bem, era bem provável que eu cometera algum deslize, afinal, além do dolo temos a culpa, seja negligente, imperita ou imprudente. Meu espírito perturbou-se alguns segundos.

Como sempre fazemos em leituras desse tipo, a gente dá logo uma espiada no fim da mensagem. O tom de despedida diz tudo sobre o teor de um encontro, e ali estava eu sendo chamado a um tipo de encontro com o Tribunal de Contas do Pará. Tivesse eu começado pelo começo, e algumas batidas do coração seriam poupadas. Logo no ápice, o ofício resumia o tema. A ementa dizia assim: “Assunto: Inserção na Ata. Artigo. Jornal O Liberal.”. Vamos logo ao seu teor.

“Prezado Senhor, apresentando cumprimentos, informo que o Plenário desta Corte de Contas, em Sessão Ordinária desta data, acolhendo a proposição do Exm.º Sr. Cons.º Nelson Luiz Teixeira Chaves, acompanhada pelos demais conselheiros, inseriu na Ata n.º 5.489 a transcrição do belo e apropriado artigo A ilusão da riqueza de sua autoria, onde são despertados os sentimentos da caridade, solidariedade e da compaixão que devem presidir a qualquer cidadão, especialmente aqueles que têm sob sua responsabilidade a gestão dos recursos públicos. Na oportunidade, o Ministério Público de Contas, representado pelo Procurador Stanley Botty Fernandes, associou-se à referida manifestação.”. O ofício veio assinado pelo Conselheiro Odilon Inácio Teixeira, Presidente do TCE em exercício.

Primeiramente, minha gratidão a Deus por esse reconhecimento, pois nada de bom há em mim que não se explique n’Ele. Juntamente, meus sinceros agradecimentos ao Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Para, em especial aos Conselheiros Nelson Chaves e Odilon Teixeira, assim quanto ao Procurador Stanley Fernandes. Confesso que fiquei surpreso com a sensibilidade destes nobres leitores, que, debruçados sobre temas tão vultosos, emprestaram um minuto de atenção à nossa singela mensagem impressa.

Não poderia esquecer do jornal O Liberal, posto que tem sido essa a tipografia disponível para compartilharmos tantas ideias ao longo destes quase dez anos de ininterrupta e assídua colaboração. Dedico essa homenagem à memória do editor-chefe Walmir Botelho, a quem não conheci pessoalmente, mas, uma vez me ligou para me assegurar que a coluna estava aberta para qualquer tema que eu quisesse explorar. Considerando o veículo, a inserção do artigo em ata do Tribunal de Contas do Estado é um reconhecimento ao próprio jornal, uma espécie de berço que permite a vida de ideias e palavras que talvez jamais seriam conhecidas de outra forma.

Avançamos confiantes de que a vida é uma bela jornada cujo sentido só pode ser encontrado plenamente quando consideramos os nossos contemporâneos. “A ilusão da riqueza”, publicado no dia 8 deste mês, foi apenas uma das muitas placas ao longo deste caminho, advertindo-nos de que o fato de respirarmos o mesmo ar do planeta torna-nos cúmplices da felicidade.

Julgado pelo Tribunal de Contas, fui aprovado.

 

Rui Raiol é escritor

Site: www.ruiraiol.com.br

 

 

Publicado no jornal O Liberal em 22 de agosto  de 2017.