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O fator Venezuela

A Venezuela já encantou o mundo com suas lindas mulheres vencendo o concurso de Miss Universo. Igualmente, encanta com suas águas caribenhas e seu generoso reservatório petrolífero. O país tem uma história que se confunde com a biografia de Simón Bolívar, ícone que Hugo Chávez e Nicolás Maduro elegeram para representar a apelidada revolução bolivariana, que governa o país com vara de ferro há quase duas décadas.

Durante estes dezenove anos, a Venezuela tem sido gradativamente mergulhada num regime ditatorial. Ainda no governo de Chávez, as principais agências de comunicação contrárias ao regime foram fechadas. Opositores foram lançados na prisão sob acusação de subversão à ordem vigente. O país deixou de respirar a liberdade e morre asfixiada por um homem que Hugo Chávez deixou no poder como a pior metástase do câncer que o vitimou.

É urgente que o mundo pare a marcha autoritária, abusiva e ilegal de Nicolás Maduro. É preciso que o mundo ocidental o pare pela própria Venezuela, que agoniza agora em um mar de sangue. É preciso que ele seja contido pelo bem da América Latina.

É inaceitável que os organismos internacionais competentes queiram ainda negociar diplomaticamente com Maduro. Ditadores não negociam, são doentes pelo poder, não enxergam nada além de seus próprios interesses partidários. O que vemos na Venezuela é vergonho para o Brasil. Somos o maior país desta região do mundo. O Brasil não pode ser frouxo perante um indivíduo que parece disposto a destruir com sua ignorância política o pouco que temos conquistado nestas terras habitadas historicamente por opressores.

Lamentável o apoio incondicional que alguns parlamentares federais emprestam à saga leviana de Nicolás Maduro. Parece que não nos apercebemos, porém, o retrocesso da Venezuela tem implicações em todo o continente. É um exemplo a ser seguido por outras republiquetas de banana, onde a corrupção da classe política tenta se esconder pelo uso da força.

Enquanto os Estados Unidos sobrevoam a Coreia do Norte, tentando intimidar o maluco que pensa que o mundo está naquela península, já é passada a hora de nações sul-americanas decentes darem um basta a essa desgraça que se instalou na Venezuela. A continuar assim, resta saber para que existem mesmo os organismos internacionais que têm a missão de monitorar a liberdade neste hemisfério ocidental do mundo.

Falando em monitorar, balela essa presença internacional durante a eleição da assembleia constituinte de domingo. Essa presença é ridícula, e pode, inclusive, ser invocada como forma de legitimação do regime ditatorial do ex-motorista de Hugo de Chávez.

Todos sabemos que Maduro violou a própria constituição chavista, pois antes da eleição deveria ter convocado um plebiscito. Agora, passando sobre tudo, zombando do mundo, o ditador venezuelano quer todo o poder nas mãos, capaz de dissolver o parlamento, onde ainda enfrenta resistência. Como o mundo pode permitir que a Venezuela chegue ao estado em que se encontra? Já não bastam mais de cem mortos nas ruas? O que está faltando para que o Brasil e outras nações parem a marcha infernal que Nicolás Maduro tem levado a efeito na Venezuela?

Olhando a situação política do Brasil, compreendemos que os nossos líderes parecem não ter cabeça para lidar com o tema, haja vista que estão deveras ocupados com suas próprias acusações de violação das normas internas. Lamentável! Estamos vivendo um momento bastante tenso neste pedaço do mundo. A Venezuela não pode se curvar perante o capricho de um homem cujo governo, aliás, tem levado a população à miséria.

Todo cuidado é pouco! O fator Venezuela pode contagiar o Brasil. Caso a operação Lava Jato fracasse, podemos ver a tormenta caribenha chegar às costas do Atlântico. Gente não faltaria para apoiar. Somos um país vulnerável. Falta-nos honestidade. Em uma nação onde a classe religiosa está entre os principais saqueadores da população, o que havemos de esperar?

 

 

 

 

Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)

Publicado no jornal O Liberal em  1/8/2017