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A morte do último hetero

O que aconteceria ao mundo vegetal se o androceu não fecundasse mais o gineceu? O que aconteceria  se as espécies vegetais entrassem também nessa guerra  do gênero? Sem muito esforço, concluímos que não haveria mais renovação da espécie, morreriam por fim as árvore velhas e a vida vegetal seria paulatinamente extinta. Observando o frenesi atual da principal espécie animal do planeta, concluímos que igual sorte pode estar reservada ao homem.

A vida não é apenas pensamento. Biologicamente considerando, a nossa existência neste mundo é célula reprodutora. Uma leitura rápida do relato da Criação, e eis Deus estabelecendo que cada espécie trouxesse em si mesma a sua própria semente, a sua identidade. Todavia, a reprodução requer a participação de gametas diferentes.

A reprodução constitui o estágio mais avançado em termos de vida. Por causa do risco de extinção de alguns animais, o mundo gasta fortunas. A ciência reúne o que tem de melhor para reproduzir em cativeiro um urso panda, por exemplo. Animais extintos são estudados exaustivamente, sempre alimentando o sonho científico de um dia, se possível for, reproduzir em laboratório o que já viveu há milhões de anos na Terra.

Vendo a declaração de uma jornalista na TV, que há menos de um anos assumiu a homossexualidade, dizer que no futuro seus filhos e netos irão vencer o preconceito atual contra o tema, enxergamos o paradoxo da declaração. Como seus “filhos e netos” viverão, se a reprodução é biologicamente coisa de hetero? No caso da jornalista, o fato de ela ter filhos, isso deve-se à sua experiência heterossexual do passado no casamento, não à empolgação de sua nova experiência.

A esperança da jornalista só tem a garantia da perpetuidade, caso seus filhos e todo o resto do mundo não escolham a homossexualidade. Caso isto acontecesse, a humanidade entraria paulatinamente em declínio. A salvação poderia provir do esforço da ciência, que tentasse procriar seres humanos “em cativeiro”. Isto parece exagero, mas não é.

Com isto, não estou condenando a vida de cada pessoa. Estou pensando em termos da reprodução da espécie. O que me parece muito estranho é essa loucura que o mundo está vivendo hoje em torno da questão homossexual. Cada pessoa é livre para escolher o que quiser, desde que isto não fira à lei. Agora, loucura é essa apologia ao movimento, como se, em termos de reprodução, todos estivessem nivelados. É forçoso reconhecer que reprodução é coisa entre macho e fêmea.

O absurdo dessa bandeira está na tentativa de proibir que o sexo da criança conste da sua certidão de nascimento, querendo alguns que somente no futuro a própria criança faça a sua “escolha”. Como assim? Porventura o mundo está ficando louco? Porventura, o ser humano chegou a esse estado bestial, quando o falo não pode mais apontar o gênero?

Todos nós sabemos que a homossexualidade é uma questão complexa. Existem homossexuais que são assim porque foram violentados na infância, então, o contato com o mesmo sexo tornou-se a experiência “correta”. Existem casos em que a homossexualidade é circunstancial, como no exemplo das penitenciárias, onde a escassez de parceiros de sexo oposto deixa heterossexuais encurralados. Assim como, entre muitas outras situações que poderíamos citar, existem os homossexuais que são assim porque assim se percebem, assim veem o mundo, estando esta condição interligada às suas próprias vidas, conforme afirmam.

Em todo caso, não se pode endeusar o movimento homossexual. Sexo não é coisa de avenida. Sexo é privacidade. A homossexualidade existe desde que o mundo é mundo, porém, só chegamos até aqui, e só vamos a algum lugar da história, graças à união entre macho e fêmea. Logo, é preciso respeito também ao heterossexual. Todos nós somos frutos da relação entre macho e fêmea. Todos nós devemos agradecer a Deus pelo fato de um dia nossos pais terem sido atraídos um pelo outro. Agradecer pelo fato de eles não terem se repelido.

Uma ressalva eu faço: as pessoas merecem respeito e não podem ser maltratadas em função de suas atividades sexuais. Nada justifica a violência. Desde criança, eu observo quanto homossexuais sofrem em função dessa condição. O que não podemos aceitar é que o homossexualismo seja endeusado como a regra da humanidade, pois sexo continua sendo uma questão de genética. O nosso pensamento sobre certo e errado continua servo dessa genética. A vida precisa da heterossexualidade. A morte do último hetero pode ser o nosso fim. Ponderemos.

 

 

 

 

Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)

 

 

Publicado no jornal O Liberal em 11 de julho de 2017.