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Woodstock e STF

Ficamos impressionado com o valor que o mundo empresta a eventos que para nada serviram. Até hoje o mundo cultua Woodstock, como se referido fato fosse algo que tenha contribuído para o progresso da humanidade.

Woodstock foi um festival americano que aconteceu entre 15 e 18 de agosto de 1969 nos arredores de Nova York. Reunindo praticamente o que se tinha de melhor na música do momento, o encontro  não foi apenas harmonia. Woodstock foi marcado pela nudez, sexo e drogas. Durante o festival, houve morte por overdose e aborto. Porém, a irreverência é saudada como um tipo de virtude esquisita para se lidar.

Ficamos impressionados como esse tipo de evento ganha memória eterna na sociedade. Bem diferente da Semana de Arte Moderna, acontecida no Brasil em 1922, Woodstock não acrescentou nada. Estudiosos do comportamento podem apontar esta ou aquela importância no festival americano, traçando perfis diferentes da juventude antes e pós-movimento, mas isto será apenas a leitura de uma tela, a expressão social, jamais algo que sirva a um fim proveitoso. Woodstock pode ser uma constatação, a leitura de uma época que sai dos anos sessenta, apenas isso.

Na Colômbia, o que antes era um caso policial de combate ao tráfico de drogas, agora é um centro turístico. A ilegalidade também é cultuada. No Brasil, o combate à ilegalidade começa a aborrecer até ministros do Supremo Tribunal Federal. O Brasil, que abrigou o maior ladrão da história britânica, parece gabar-se do que não serve para nada. Se alguém roubou um trem inteiro, então esse cara deve ser bom! Parece ser esta a nossa filosofia.

Ainda falando em Supremo, eu fico impressionado quando um ministro do STF vem a público fazer política partidária. Arrepia-me ouvir alguns dos onze debochar de juízes e procuradores, isto é, no mínimo, um paradoxo sem fim. Na verdade, temos uma cultura de cultuar o crime, temos o nosso Woodstock com várias facetas no Brasil.

Agora, Crivella  enfrenta a fúria dos cultuadores do carnaval. O estado fluminense está falido, pagando salários ainda de abril parceladamente, mas, o povo quer dinheiro para mostrar a genitália. Ora, valha-nos Deus! Que país é este, capaz de tudo por causa do seu hedonismo carnal?

Afinal de contas, qual o lucro do carnaval para o Brasil? Captação no turismo? Ora, isto nem se compara à desgraça dos contaminados com HIV, da gravidez indesejada, dos abortos, do aprofundamento do nosso povo no vício do álcool, fumo e outras drogas.

Em São Paulo, Dória luta para acabar com a Cracolândia. Críticas à parte pelo método do prefeito, mas também não é para endeusar o crack. Nessa história já ouvi especialistas fazendo quase apologia ao uso desse entorpecente. Não é para tanto! Mas, vivemos essa ficção por Woodstock. O erro virou certo. A rebeldia é virtude. A nudez é o Éden. Não, não é não. Nossa sociedade está bastante perdida em matéria de valores morais.

Na música brasileira, bomba quem mostra sexo. Fui conferir de perto um dos últimos sucessos de determinada cantora, e o que vi foi: sexo, sexo, sexo! Apelação pura. Mas, de repente, até as nossas escolas estarão ensinando a dança. Sob o pretexto da inclusão social e sob o discurso de luta contra a segregação, estamos a cada dia vivendo o nosso Woodstock.

O Woodstock brasileiro está em muitos lugares onde a quebra de paradigmas é cultuada, sem importar com o valor absoluto do que está sendo quebrado. Durante os quatro dias do festival, Woodstock foi um sanitário a céu aberto, um chiqueiro de promiscuidade, onde o sangue era regado por drogas e todo tipo de ato destrutivo. Pergunta-se: qual a virtude de Woodstock? Resposta de alguns: ele representa uma quebra de paradigmas. Só isso?

Sendo assim, até o Diabo deve ser cultuado. Historicamente, ele quebrou o maior de todos os paradigmas, insurgindo-se contra o Altíssimo. Porém, dizemos: “Não! Isto não! Somos cristãos”. Então, está na hora de repensarmos o culto aos “woodstocks” que estamos disseminando na cultura brasileira.

Acredito que a religião de Woodstock é o movimento que mais cresce no mundo ocidental. O rito de passagem está na quebra de regras, isto parece ter chegado até ao Supremo Tribunal Federal.

 

Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)

 

Publicado no jornal O Liberal em 20/6/2017.