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UNIVERSOS PARALELOS

O homem ainda não pisou no planeta mais próximo, porém, já deduz que sua ideia de modelo de Universo pode estar incompleta. Apesar dos avanços, nossa compreensão do Cosmos ainda não é capaz de dizer, por exemplo, se ele é finito ou infinito. Aqueles que advogam que o Universo proveio de uma grande explosão não sabem precisar o futuro do Cosmos.

Uma vez tendo se originado de um núcleo, o Big Bang apresentará dois destinos ao Universo: primeiro, ele continua se expandindo e, literalmente, fará isso até o fim, ou: o Universo encontrará alguma forma de contenção, então começará a encolher até que atinja um limite máximo de saturação, originando um novo começo que o jogará aos ares novamente.

Por esses dois destinos, o Universo haveria de ser uma expansão em infinito ou seria algo pulsátil, gastando bilhões de anos para ir e vir. Até agora, não se tem essa confirmação. Para ser pulsátil, o Universo teria de ter uma espécie de plano curvo, que o arremessasse de volta. Teoria. Tudo quanto sabemos é que os corpos celestes continuam se expandindo. Isto provém da observação do prisma, pois quando mais perto do espectador, mais clara se torna a luz e, quanto mais longe, mais rubra.

Estrelas velhas são laranjas e vermelhas, mais frias em comparação a estrelas jovens, assim como acontece com a chama de uma vela. Quando criança, eu costumava cortar a luz da lamparina com a mão, o truque era evitar o topo azulado da chama. Este é o mesmo princípio de estudo do Universo. Como os estudos revelam que a cor do Universo tende a ficar avermelhada, isto significa que estamos nos distanciando cada vez mais de um ponto de referência.

Obama anunciou há poucos dias que os Estados Unidos pretendem enviar uma tripulação à Marte na próxima década de trinta. Trata-se um antigo plano que visa “terraficar” o planeta vermelho, vale dizer: dotar aquele planeta da mínima condição de habitabilidade produzindo, por exemplo, uma atmosfera artificial através de reações químicas. Não sei se é por isso que, pelo menos em outro projeto particular, a viagem é apenas de ida.

No meio de tudo isto, vem a questão da existência de universos paralelos. O que seriam? Seriam outros cosmos que, assim como as galáxias conhecidas, ocupariam um plano maior, convivendo lado a lado, porém, com leis completamente desconhecidas por nós, simples terráqueos.

Essas coisas são muito complexas e são objeto de um estudo que não pertence a nós, leigos em astrofísica, física quântica etc. Dia desses, por exemplo, eu fiquei impressionado ao ouvir um grande cientista afirmar que as leis do Universo precedem ao Big Bang, pois o acaso, o caos da explosão não poderia formar essas leis. Segundo o especialista, as leis deveriam estar “funcionando” para que, à explosão da matéria, tudo entrasse em ação.

A ideia de existência de universos paralelos significa admitir a possibilidade de outras formas de vida. Não estou me referindo àquelas figuras raquíticas de olhos esbugalhados, não, refiro-me a outras organizações da vida diferente do único modelo que conhecemos a partir da Tabela Periódica. Até este momento, todo o nosso modelo de ciência deriva do tipo de matéria e energia que conhecemos e dominamos no Universo. Nós, por exemplo, somos em parte formados do mesmo material das estrelas. Mas, a ideia de universos paralelos conspira contra os nossos protótipos de

Pensando nestas coisas, imagino se esses tais universos paralelos não seriam mundos de natureza acentuadamente espiritual. Se for, poderemos ter ali a existência da dimensão onde mora a Divindade, lugar de tantos seres espirituais, conhecidos nas antigas narrativas como mensageiros celestiais. Quem sabe, não se trata também de dimensões onde habitem potestades do mal, conforme um viajante celestial chamado Paulo escreveu aos gregos de Éfeso. Não sabemos.

Seja lá o que for, do ponto de vista do nosso estudo terreno, estamos muito longe de alcançá-los. Se os universos paralelos contiverem vida, isso pode ser muito diferente do que conhecemos neste pálido ponto azul, lembrando Carl Sagam. Se forem mundo espirituais, então, teremos a derrocada da nossa empírica ciência. Mas, por fim, se esse mundo espiritual for sinônimo de Céu, podemos desde já visitá-lo diariamente através de uma breve oração, e sem medo algum do que encontraremos.

Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)

Publicado no jornal O Liberal em 01/11/2016