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A CURA DE JÉSSICA LOREN

Foi no final de 2014 que fiquei sabendo do estado de saúde de Jéssica Loren. Neuza Leite, uma amiga Promotora de Justiça no Estado do Amapá, ligou-me para perguntar se eu podia viajar até aquele Estado para orar pela menina Contou-me que a jovem de dezessete anos ouvira falar sobre o livro “Cura Divina – Promessa Atual”, que escrevi ainda em 1999, e procurava encontrar a obra, já esgotada. Tocada pelo desejo de cura da menina, Neuza quis fazer melhor, segundo me disse: levar não somente o livro, mas também seu autor até aquela cidade. Mandou-me as passagens.

Cheguei à Macapá na próxima semana. Tido ido exclusivamente para orar pela Jéssica. Depois de muitas voltas, chegamos à casa da jovenzinha, no bairro do Zerão. Uma rua pobre, sem asfalto. Sol equatorial causticante, cerca de onze horas da manhã. Na humilde sala, estava Jéssica e seus genitores. O pai pedira licença no trabalho para acompanhar a visita pastoral. Uma família católica. Era a primeira vez que um protestante entrava naquele lar. A primeira visita de um pastor.

Um pouco preocupada com a situação, a genitora da moça fez questão de dizer que era católica. Procurei acalmá-la, contando-lhes que meu berço cristão também é católico e que Deus não lê placa de igreja, mas vê apenas o seu rebanho caminhando sobre a face da Terra. Conversei bastante sobre os mecanismos da fé. Instruí sobre as atividades que Jéssica devia fazer. Falei sobre cura e sobre o Céu. A conversa durou mais de uma hora. Somente depois disto, avisei que agora iríamos “subir” em oração até o Reino de Deus, e que isto seria feito em tempo real. Falamos que uma comunicação viva seria estabelecida entre o Céu e a Terra, de modo que as respostas poderiam descer naquele exato momento em que estivéssemos orando. E comeceia orar.

Jéssica Loren tinha um melanoma terminal. Por causa desse câncer muito agressivo, estivera em longo tratamento em São Paulo. Tinha feito quimioterapia e radioterapia. Os médicos abriram-lhe o braço direito – região da axila – querendo retirar a doença, porém, o tumor estava enraizado entre nervos, músculos e vasos sanguíneos, não podiam operar. A melhor alternativa era mesmo esperar que os tratamentos mais severos funcionassem. Porém, nada surtira efeito

Naquela manhã, em Macapá, Jéssica tinha regressado com uma última possibilidade: amputar o braço e, assim, tentar frear uma metástase inevitável. O oncologista já havia encaminhado a jovem para o cirurgião. Não queria vê-la mais com o braço, porque os médicos já não podiam fazer mais nada por ela mesmo. Amputar era a derradeira chance de cura, remotíssima. Mas, agora, em oração, o assunto não era com os homens, mas com Deus. Não o estava mais no campo do possível, mas do impossível.

O momento de oração foi algo extraordinário. A presença de Deus era quase visível naquele lugar. Uma oração silenciosa, porém, de firme convicção de pessoas que sabiam que estávamos mesmo em um contato direto e real com o Céu. A oração encerrou com lágrimas. Ninguém suportou a presença sublime de Deus naquela sala. Algo havia acontecido!

Agora, era tempo de reforçar como Jéssica deveria viver nos próximos dias. Eu disse que ela devia voltar para a aula, como desejava. No princípio, a mãe relutou, pois a menina estava muito fraca. Porém, a orientação era que, a partir daquele momento, Jéssica voltasse a se preparar para seu ingresso na faculdade de jornalismo. E assim aquela família acordou para um novo tempo. Jéssica voltou a estudar, todas as dores passaram. Sua disposição ficou normal. Então, liguei para a família e disse que precisavam voltar ao médico. “Precisa mesmo?”, indagou a mãe. “Sim, precisa. Deixe os médicos dizerem que ela está bem”, foi minha reposta.

Jéssica voltou a São Paulo. Os médicos refizeram todos os exames, e nada mais foi encontrado. Nem sinal do tumor. Surpresos, os médicos afirmaram que, em hipótese alguma, um câncer de pele tão agressivo ficaria adormecido durante seis meses. Em julho deste ano, Jéssica voltou novamente ao Sul. Os médicos confirmaram que no lugar do tumor nada pode ser encontrado. Disseram que, no caso dela, nem mesmo a quimioterapia nem radioterapia podiam resolver. Jéssica está curada. Jéssica Loren estuda jornalismo na Faculdade Estácio Seama, em Macapá. Está muito feliz com sua família.

Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)