ARTIGOS EM JORNAIS

O mais elevado padrão de vida

O mundo capitalista insiste em gerar padrões de vida. A cada dia, propagandas abertas e subliminares nos sufocam com ideias de consumo. Ideias materiais e exteriores. Um mundo de “necessidades” que não atravessam a nossa pele e tampouco têm o poder de nos tocar a alma. São casas e apartamentos fabulosos, com centenas de metros quadrados. Condomínios requintados. Carros fantásticos. Viagens. Finíssimas iguarias. Grifes. Lucros. Fama. Deus se torna um item dispensável.

Há outros que, sem condições materiais de ostentação, vivem padrão de vida diverso: regado a álcool, tabagismo e entretenimento com o futebol dos ricos. Para este grupo, resta o botequim da esquina, o cigarro contrabandeado produzido com formol, a música bate-estaca, sem letra e melodia, que aterroriza os pássaros. Aqui, este é o padrão de vida. Da vida sem Deus, de ateus práticos, que negam a Divindade através da dissolução.

Há, ainda, um grupo intelectualizado. De pessoas que leem os clássicos. Filosofia. Arte. Ciência. Frequentadores de bons cinemas e teatros. E que, justamente por essa leitura diferenciada, passaram a descrer de Deus. Para estes, o saber tornou-se a divindade, a causa superior, a explicação para todas as coisas. Aqui, o padrão de vida é algo bem mental. Uma ideia. Um suspiro de superioridade. Elite. Religião é coisa para ignorantes.

E, no meio dessa complexidade, alguns estranhos aos padrões acima. Não sonham pelos olhos do capitalismo. Estão livres de vícios destrutivos do corpo e da alma. Leem, e não descreem. Estes são alguns que encontraram Deus em suas jornadas. Têm um padrão de vida que não se explica nos manuais de consumo. Eles alcançaram uma boa compreensão do corpo e querem respeitar suas leis naturais. São pessoas simples, que, não obstante, atingiram o mais elevado padrão de vida.
Certamente, o mais elevado padrão de vida é alcançado por alguém que acredita em Deus e o obedece. Alguém que, pela excelência desse conhecimento, renunciou a si próprio para seguir os preceitos do Evangelho. Para estes, a vida humana não é medida por índices econômicos nem financeiros. Materialmente, podem não ter nada, porém, seus corações transbordam de paz e fé. Quando chega a tormenta, eles têm em Deus uma âncora. Vivem e morrem dominados por uma serenidade indescritível.

Oram. Creem. E, se não recebem determinada bênção, sabem estar debaixo de uma condução divina. Então, rendem graças a Deus.

Certo dia, fui convidado a visitar uma senhora à beira da morte. Isto foi em Vigia, minha terra poética. Disseram-me que há anos estava no leito. Inválida. Logo imaginei um quadro de sofrimento. Porém, quando adentrei aquele quarto úmido e escuro, encontrei um ser iluminado. Rosto angelical. Resplandecente. Voz de cântico, que louvava a Deus sem cessar. Mal pisamos no recinto, e fomos recebidos por palavras proféticas. Deus estava falando conosco através daquela mulher. Fisicamente, um esqueleto curvo no fundo de uma rede. Vida vegetativa. Estado terminal. Mas, na verdade, ali estava alguém que durante quase noventa anos vivera um maravilhoso projeto divino.

Estou convencido de que não há melhor padrão de vida além do cristianismo. A fé em Deus torna-se nossa respiração. Acordar e adormecer. Estou assim em estado de graça, tão convicto, que nem mesmo a ciência ou a filosofia conseguiriam remover uma célula dessa fé. Aliás, já determinei isto: se um dia os cientistas ousarem demonstrar por A mais B que Deus não existe, estou decidido a continuar crendo nele, pois a vida cristã é tão boa que agora não apenas creio. Eu sei.

Rui Raiol é escritor (www.ruiraiol.com.br)

* Publicado no jornal O Liberal em 23 de agosto de 2011.