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Nosso mundo invisível

A vida, o mundo e todas as suas relações estão intrinsicamente ligados à natureza da invisibilidade. Seja em escala macro ou microscópica, é praticamente impossível separarmos o começo e o fim desse liame. É impossível sabermos sempre com a devida clareza o que é causa e consequência. É muito interessante que os grandes elementos da vida existem de modo invisível aos nossos olhos. O átomo de oxigênio e a molécula da água pertencem a esta categoria. Assim também pertencem as gigantescas formações do Cosmos. A matéria e a energia escuras – que representam quase a totalidade de tudo que se conhece do Universo –  não podem ser vistas e mensuradas, nesta ordem. A grande luta do homem não se dá no campo do visível, mas justamente no que não vemos. Desde o princípio, a humanidade trava uma batalha vital contra agentes etiológicos não percebidos pela retina nua. Malária, febre amarela e um batalhão de vírus misturam-se a bactérias nocivas e outros agentes desse exército que luta contra nós. Curiosamente, é a vida contra a vida. Essa batalha torna-se grave quando os soldados invisíveis externos ultrapassam a nossa pele, a partir da qual travarão uma renhida peleja contra os nossos leucócitos. Mas o mundo invisível não é apenas oxigênio e água molecular. Na verdade, quanto mais adentramos na investigação sobre nossa origem e destino, mais invisível se torna a explicação. É assim que a Divindade e toda noção de mundo espiritual escapam dos nossos olhos, do nosso festejado método cientifico. Não vemos o amor, o ódio. Não vemos a tristeza nem a alegria. Sentimos os seus efeitos. Medimos os seus hormônios. Espiamos afetações cerebrais em tomografias, não muito que isso. O que nos move é invisível. Curiosamente, a Bíblia afirma em Hebreus que o mundo que vemos foi feito a partir do invisível. É assim que a nossa luta principal não é contra a carne nem contra o sangue, mas contra forças que não podem ser medidas por nossos avançados instrumentos científicos. Um simples vírus parou o mundo. O visível sofre pelo invisível. Grandes shoppings, megalópoles, turismo… o nosso direito de ir e vir foi cerceado pelo que não vemos. Eis a nossa verdadeira luta. Até Pasteur, toda a ciência não cria na existência de germes. Infecções pós-cirúrgicas eram vistas como meras “inflamações”. Na ignorância, médicos sangravam pacientes. Pasteur precisou levá-los até um microscópio. Hoje, terça-feira de carnaval, o vírus mandou o bloco se recolher. Quem tentar desafiar o vírus, pode ser preso. Precisamos com urgência de outra arma invisível para enfrentar o inimigo. Precisamos de armas não de fogo. Precisamos de vacina, de anticorpos que combatam esse novo coronavírus. Dois milhões de cadáveres testemunham a nossa urgência. Para isto, não precisamos de fé nem teoria científica, basta irmos aos cemitérios, aliás, fechados também pelo vírus. 
Rui Raiol é escritor.
Publicado no jornal O Liberal em 16/2/2021
(Site: www.ruiraiol.com.br
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