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Jesus, um refugiado político

A história do nascimento de Jesus não começou com luzes e festas. Sangue, tensão e fuga marcaram suas primeiras páginas. A política romana domina a cena desde às dores de parto. Por força de um decreto, José desceu a Belém para um recenseamento. Ao que tudo indica, não havia concessão a ninguém: Maria teve de acompanhar o esposo mesmo em adiantada gravidez.

O fato político provocava aglomeração. Depois de enfrentarem uma longa viagem em lombo de animal, José e Maria não encontraram conforto. Mas, a natureza incumbe-se de si mesma. Por fim, Jesus nasceu provavelmente na casa de algum parente. Porém, não havendo lugar na “hospedaria”, que – segundo o especialista em línguas orientais Kenneth E. Bayley (“Jesus pela Ótica do Oriente médio”)-, tratava-se do espaço reservado a hóspedes nas casas judaicas, restou nascendo em compartimento contíguo ao espaço doméstico que guardava animais de noite.

Mas, foi a perseguição direta de Herodes que culminou no ato de maior gravidade na infância de Jesus, pois, informado acerca de seu nascimento, o governante romano intentou matá-lo por motivos políticos, pois o recém-nascido era chamado de “rei dos judeus”, um “concorrente”.

O evangelista Mateus narra a perseguição e fuga do Menino. Segundo as Escrituras, avisado por Deus em sonhos, José apanhou Maria e a criança e fugiu para o Egito. Quando lemos esta afirmação, não nos damos conta sempre de como foi difícil esse episódio, pois, segundo Mateus, a fuga aconteceu de noite. Uma longa e cansativa viagem. Foi desta maneira que Jesus se tornou o primeiro refugiado cristão.

Hoje, depois de milhares de anos, continuamos sendo atormentados pelo mundo político. Este Natal já está marcado pela ganância humana em torno de cargos e posições políticas. Caminhando para duzentos mil brasileiros dizimados pela Covid-19, e a guerra está declarada entre partidos e governantes. Uma loucura!

Que neste Natal nos apeguemos mais a Jesus Cristo, pois somente ele tem a paz de que precisamos no meio das calamidades, do descaso pela vida alheia e da enganosa usura política. Feliz Natal!

Rui Raiol é escritor.

Publicado no jornal O liberam em 22/12/2020

(Site: www.ruiraiol.com.br)