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Estados Unidos às voltas com um ditador

Ditadores podem subir ao poder por meio de um sistema legítimo, mas, estando lá, duvidam de tudo e de todos. Esta é a velha história da escravidão política na América Latina e no resto do planeta. Para criarem essa base ideológica sustentada pela mentira, geralmente começam a criticar quando ainda candidatos. Eles conseguem o cargo por meio de uma democracia que juram questionável.

O pano de fundo de toda ditadura é a crítica ao sistema vigente. Na verdade, estamos diante do autoritarismo. De repente, todas as mazelas sociais passam a ser explicadas pela ineficiência e corrupção dos agentes políticos antecessores. Nasce a figura do salvador da pátria, um ser mítico que se levanta como o único em condições de governar. É assim que milhões de nacionais podem se tornar governados por um tirano.

Geralmente, tais “libertadores” invocam a figura de algum patrono, como acontece na Venezuela. A história mostra que Simon Bolívar foi sim importante para a América do Sul. Porém, todos sabemos também que mais tarde ele mesmo não quis mais ceder o poder, fenômeno semelhante à Ilha de Cuba e a família Castro.

Como tais homens se mantêm no poder? Pela intimidação das armas, haja vista que têm as forças armadas a seu dispor. Então, fortalecem este seguimento, concedendo-lhe privilégios e transportando-os para o centro do próprio governo. É assim, por exemplo, que hoje a “Casa Civil”, um dos ministérios mais importantes do Brasil hoje está povoada de militares. Mas não é só isso.

Governos autoritários são hipócritas políticos, pois ao passo que se insurjam durante a campanha contra a corrupção, em tendo assumido o governo, calam-se e apoiam toda sorte de corruptos que lhes sirvam no projeto de perpetuação no poder e no fazer vistas grossas contra erros políticos e administrativos. E, com passar do tempo no governo, tornam-se cada dia mais reféns desse poder. Corrompem-se e já não podem deixar o poder, porque temem uma investigação séria contra seus governos e, consequentemente, sérias punições. Então, persistem em engendrar toda artimanha para não deixarem o trono.

É inconcebível que o senhor Donald Trump só questione os estados onde haja perdido a eleição. E o grande centro americano, onde ele avermelhou o mapa? É inconcebível que prometa “comícios” para questionar a vontade popular. Vade retro!

Rui Raiol é escritor.

Publicado no jornal O Liberal em 10/11/2020

E-mail: ruiraiol@gmail.com