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Pandemia em tempos de extremismo religioso-político

O novo coronavírus tem dois aliados no Brasil, a religião praticada por alguns evangélicos e o sectarismo político. Ambos, por si só,  já seriam suficientes para reforçar o principal inimigo da vida dos brasileiros no presente momento. Reunidos, eles juntam força capaz de exacerbar a desgraça que esse vírus está causando.Confesso que particularmente estou chocado com o comportamento de alguns frequentadores da religião evangélica. Estando há 42 anos entre a membresia de notável igreja,  sinto vergonha de ser contado com alguns que, confessando de lábios que seguem os ensinamentos de Jesus Cristo, suas atitudes conferem claramente com o Diabo. A religião pode se tornar algo alienante. Se todo praticante não procurar sopesar pensamentos e emoções de sua crença, poderá cair em extremismos muito perigosos, que podem individualmente causar perturbações mentais e até mesmo levar tal crente a atos coletivos deploráveis à racionalidade.Por sua vez, a política também pode representar uma força alienadora. Basta ler a história mundial, para concluirmos que as grandes mazelas políticas que afligiram e afligem a humanidade derivou de uma interpretação isolada e individualista que repugna a pluralidade do pensamento humano. Regimes autoritários nascem desse germe solitário. Agora, imaginemos a força opressora do casamento entre a religião e a política quando processadas pelo homem médio sem qualquer filtro de senso crítico. Observemos que nessa hora a política ganha uma aura de divindade e seus representantes máximos assumem o papel de semideuses, infalíveis e acima de todo e qualquer sistema de controle social. Dentro de seu contexto normal, frequentadores de igrejas cristãs deveriam estar agora prestando solidariedade à dor dos nossos irmãos brasileiros. Era de se esperar que líderes e frequentadores de igrejas evangélicas no Brasil estivessem agora de joelhos, clamando ao céus pela misericórdia divina sobre tantos que estão sofrendo, haja vista que já não caminhamos por uma rua sem termos a notícia de morte por esta pandemia. Todavia, a união macabra da religião evangélica fundamentalista com uma falta falta crônica de educação política  no Brasil gerou um monstro, que zomba dos que estão sofrendo e parece querer destruir tudo e todos, no intuito de  defender o que não precisa de defesa. Que Deus tenha misericórdia do nosso país e nos livre dos lobos devoradores! Que Deus derrube seus impérios e construa uma nova história nesta terra.
Rui Raiol é escritor

Publicado no jornal O Liberal em 20/05/2020
Site  www.ruiraiol.com.br