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Um milhão de infectados

A terrível cifra de um milhão de infectados pelo Coronavírus é uma questão de horas. Quando isto acontecer, esperamos que o pico dessa pandemia comece a descer a parábola de contágio. Se este prognóstico estiver certo, nossa alegria deve ser discreta, pois, tendo vencido a primeira onda da pandemia, o mundo poderá respirar um pouco aliviado, porém, tudo seguirá bem complicado ainda.Não sabemos quase nada desse novo vírus. Apesar de o mundo viver estudando essa classe de vírus e até produzido vacinas para o H1N1 e mutações, esta nova espécie pegou todos de surpresa. Com a transmissão em linha descendente, o mundo continuará lidando com casos novos e riscos de contágio comunitário, se baixar a guarda. Será preciso tratar bem os que adoeceram, certificar-se de que estão automaticamente imunizados e por quanto tempo, pois até agora desconhecemos essa auto-imunidade e sua eficácia. A extensão praticamente total desta pandemia deixará a humanidade fragilizada por muito tempo.Por outro modo, caso o contágio continue em linha ascendente, o mundo corre risco. Um milhão de infectados não curados e em condições propícias para transmitir, será algo bem difícil, pois, como todos sabemos, a infecção cresce em média geométrica. Sistemas de saúde entrarão em colapso e, mais uma vez, as estrelas do Céu ouvirão o gemido de muitos que morrerão sem assistência.Nessa fórmula de combate, por sua vez, a economia ficará cada vez mais cambaleante. Com os mercados estagnados e tantos doentes, como ficará a linha de produção? De que valerá o dinheiro que porventure sobre ainda no bolso dos países ricos? Perceberemos de vez que riqueza humana é apenas uma convenção de poder, na verdade mesmo não existe.Em contradição, em meio do caos que hoje já está bem delineado, o mundo, a natureza, agradece. O homem parou, o mundo respira. Ninguém polui as praias. Atmosfera limpa. Menos plástico nos mares. Aves que convivem conosco serão cada vez mais percebidas, porque o silêncio nos tornará mais sensíveis para perceber que estamos sobre um globo de vida, o qual diariamente insistimos em matar. Que Deus nos abençoe! Que, de uma vez por todas, lembremos as palavras do Mestre e olhemos as aves do céu.

Publicado no jornal O Liberal em 31/03/2020
Rui Raiol é escritor
Site: www.ruiraiol.com.br