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Ministério da reconciliação

Escrevendo aos cristãos da cidade grega de Corinto, Paulo, o Apóstolo dos Gentios, menciona um ministério espiritual sui generis, qual seja: o ministério da reconciliação. Segundo o apóstolo, eis o grande significado do ato divino de revelar-se ao mundo. Estando o homem em demandas com Deus, devido ao estado decadente da humanidade, aprouve ao Altíssimo a iniciativa de reconciliar-se com a sua obra-prima da Criação.Agora, exortando s coríntios, Paulo aprofunda a questão, vindo a afirmar que todos os que conhecem a Deus por meio da fé em Jesus Cristo tornam-se embaixadores do reino celestial, vale dizer: porta-vozes da mesma palavra de reconciliação que os alcançou inicialmente.Ficamos observando quanto esforço público tem sido despendido ultimamente para fomentar intrigas. O presente governo parece ter prazer em contender. Desde seus primeiros dias, o chefe do governo federal tem adotado uma postura desgastante, que se dirige contra muita coisa, algumas, aliás, situadas fora da alçada pública, posto que assunto da vida privada.Impressiona-me mais ainda o fato de o governo declarar-se cristão e evangélico. Ora, Jesus ensinou que devemos ser pacificadores, a fim de nos tornarmos filhos de Deus, isto é, filhos de Deus na prática da palavra, na atitude. O mundo, e não apenas os governos, precisam do ministério da reconciliação. é de bom senso que pessoas se entendam quanto possível e, se não for possível, uma reconciliação formal, pelo menos do ponto de vista da convivência, esta deve ser pautada pelo respeito e tolerância. Não podemos impor aos outros as nossas virtudes. Jesus conviveu com um traidor, porém, o Mestre adotou uma linha defensiva acerca de seu mau apóstolo. Jamais propalou o que Judas fazia em oculto desde o princípio. Vemos claramente que o Cristo foi reconciliador a vida inteira, culminando esse ministério na cruz quando reconciliou mais um pecador ao Pai. Ademais, dali rogou misericórdia pelos seus algozes. Que exemplo!Nós, cristãos e demais pessoas de bem, havemos de ser pacificadores. Havemos de ser reconciliadores, lutando para que pessoas de má índole convertam-se ao bem, nunca condenando, sempre apoiando. No caso particular do Estado brasileiro, eis um dever constitucional, pois todas as pessoas são iguais perante a lei, e isto não apenas para juízo, mas também para os direitos que todo brasileiro tem de ser respeitado em suas diferenças.

Publicado no jornal O Liberal em 6/11/19


Rui Raiol é escritor (Site: www.ruiraiol.com.br)