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O Brasil contra a França. Sério?

A ONU, que foi criada como um fórum de paz com o término da Segunda Guerra Mundial, virou palanque de deboches e ataques entre chefes-de-estado, um terrível paradoxo! Infelizmente, a diplomacia cede lugar ao aproveitar-se da oportunidade para achincalhes e caprichos pessoais. Toda autoridade presente à assembleia deveria lembrar que não está ali para exercer direito de defesa pessoal, mas de seu país, isto compreendido dentro da necessária cooperação entre as nações.

Há quem aprecie discursos, eu aprecio atitudes. Há quem ame afirmar sua biografia, eu prefiro a biografia do cotidiano, nesse tipo de “carta” lida por todos os homens, lembrando o apóstolo Paulo. Palavras. Ora, palavras!A Amazônia não está “quase intocada”. Basta um sobrevoo rápido, para conferirmos que milhões de hectares da floresta desapareceram e continuam desaparecendo.

Gigante por natureza, quem é o Brasil para querer brigar com a França? Seria o mesmo que o Diabo querer guerrear contra Deus. Lutar, até lutaria, mas recuaria mais diabo do que já é. Não existe isso. Vaidade. Não obstante todo o nosso vasto e rico território, somos uma nação minúscula diante da pátria de Napoleão. Não é esse o caminho. A Amazônia pertence à França do mesmo jeito que Paris pertence ao Brasil. O mundo é um só. Animais migram sem conhecer fronteiras. Rios correm de um lado para outro. Respiramos o mesmo ar. Paremos com essas questiúnculas ridículas.

O Brasil deve é mais ser aproximar da França. Esse tipo de partidarismo mundial de chefes de nações não caminha para a paz nem para a prosperidade. Semeia mais ódio. Segregação. Porfia desnecessária. O Brasil não pode se comparar à França, tem de tomar bênção, Brasil! Você ainda não fez nem a lição de casa. Seus filhos ainda morrem de fome ou subalimentação. Milhões não têm casa para morar. És o país dos escândalos. Como podes querer te comparar com a França?

Quem quiser saber o que é o Brasil e o que é a França, basta chegar à fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. Uma ponte binacional foi construída. O país europeu investiu o melhor que tem. Até a água da chuva deve ser tratada para depois ser devolvida ao rio Oiapoque. Do lado francês, tudo maravilha! Do lado brasileiro, o caos. Até hoje, a ponte não foi inaugurada. Está na hora de o Brasil parar de querer brigar com quem deve pedir a bênção. O padrinho americano não está interessado no progresso do nosso país, quer prosseguir em seu imperialismo desrespeitoso. Quebrar soberania é permitir que os EUA instalem uma base militar em Alcântara, Maranhão.

Palavras! Ora, palavras. Quem é o Brasil para se meter com a França?

Publicado no jornal O Liberal em 26/9/19

Rui Raiol é escritor

Site: www.ruiraiol.com.br