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As fronteiras no século XXI

Bastam alguns segundos de voo para que percebamos que o mundo é bem diferente do ponto de vista do chão. De repente, instantes depois da decolagem, onde está a nossa rua, onde está o bairro? A cidade vai desaparecendo rapidamente. Com alguns minutos, já não conseguimos divisar quase nada do nosso mundo terreno. Árvores, mares, rios… Tudo passa a ser encoberto por um grande mar gasoso. Daqui a pouco, tudo que nos restará será uma visão entrecortada de delicados traços da crosta terrestre.

A história das fronteiras é tão antiga quanto a vida. Não se refere apenas aos seres humanos. Em todos os reinos animais, a fronteira é uma lei natural. A fronteira obedece às grandes divisões de matérias que conhecemos, está sobre a terra, nas águas e no ar. Nas profundezas do mar, espécies ainda desconhecidas pelos seres humanos travam batalhas fatias por causa de espaço, de procriação, de comida. No céu, aves de todas as espécies estabelecem suas fronteiras, tento por balizas montes, florestas, lagos e outras formações.

 

Por sua vez o homem também segue essas três grandes divisões, exatamente como temos na organização dos países: forças armadas terrestres, marítimas e aéreas. Marinha, exército e aeronáutica são as três grandes forças das nações.

Fronteiras são linhas imaginarias que separam as nações. Elas podem “aparecer” seguindo cursos de rios, lagos, o cume de montanhas ou outras formações geográficas, ou simplesmente são apenas convenções geopolíticas. Elas são estabelecidas à força ou diplomaticamente. Constituem as áreas mais vigiadas do mundo, bem mais vigiadas do que as populações contidas em seus territórios. Governos investem grande parte da economia para vigiá-las.

 

No século XXI, as fronteiras representam o grande desafio da humanidade. A globalização é um fenômeno que não poupará nenhuma “aldeia”. Curiosamente, no apogeu do desenvolvimento científico e tecnológico, nossa geração humana precisará voltar sua atenção para o mundo animal.

Existe uma marcha sobre o mundo. O proclamado sedentarismo humano não resiste à globalização. Ao tentar construir um muro separando sua nação do México, o presidente Donald Trump precisa olhar para as outras espécies animais. Ele precisa observar formigas e grandes espécies “americanas” que cruzam o México sem passaporte. Mesmo observando suas fronteiras, animais precisam se deslocar e muitas vezes invadem territórios alheios, falando aqui do mundo animal strictu sendu. A globalização fará e está fazendo exatamente isto com o homem.

 

Economia. Doenças. Água. Politica. Religião. Inúmeros itens levarão o homem do século XXI a ignorar, ou, pelo menos, tentar ignorar fronteiras. Nações hiperdesenvolvidas, que, em grande parte formaram seus impérios através da exploração do resto do mundo, precisarão rever suas cercas. O pressagio cientifico aponta que a próxima guerra mundial será por causa de água. É irracional a construção do muro americano. É irracional a não-recepção de imigrantes africanos na Europa

 

Existe uma nação de refugiados no mundo, nação formada de vários povos e raças. Existe outra nação ainda maior que não consegue escapar de seus próprios territórios, a exemplo da Coreia do Norte e de outros regimes ditatoriais. Precisávamos, todos nós, habitantes da Terra, fazer um rápido sobrevoo no planeta. Rapidamente, poderíamos também mudar nossa concepção de mundo, muito embora sejam os líderes das nações os recordistas desse tipo de viagem. Era deles que esperávamos a melhor compreensão do mundo, principalmente dos Estados Unidos, que já enviaram tantas vexes o homem à Lua. Assim como da Rússia, que enviou o primeiro homem ao espaço, em 1961.

Publicado no jornal O Liberal em 30/7/19

Rui Raiol é escritor

 

Site: www.ruiraiol.com.br