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CGADB realiza convenção afrontosa

Depois de 64 anos, milhares de pastores filiados à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB, com sede no Rio de Janeiro – e suas esposas voltam a Belém no período de 8 a 12 de abril para sua quadragésima quarta Assembleia Geral Ordinária. O último evento aqui foi realizado de 17 a 22 de outubro de 1955 e presidido pelo pastor Francisco Pereira do Nascimento, líder da Assembleia de Deus em Belém.

De antemão, nossa saudação fraternal a abnegados servos de Deus que vêm de tão longe participar do conclave na terra onde a Assembleia de Deus foi fundada. Queremos que nossos irmãos, muitos amigos nossos, sintam-se bem nestes dias chuvosos na Capital das Mangueiras. Oramos para que as plenárias sejam de pleno êxito e que os convencionais retornem em paz e segurança aos seus campos eclesiásticos.

Não obstante, não podemos deixar de mencionar o caráter diferente desta convenção, uma vez que todo o evento acontece longe do berço histórico da Assembleia de Deus e com notório desprezo aos espaços e líderes naturais que representam uma sequência histórica da genealogia dessa igreja, embrião da própria CGADB, cujas presidências ao longo do tempo provieram direta e indiretamente da Igreja-mãe das Assembleias de Deus brasileiras.

Pesa contra esta Assembleia Geral da CGADB em Belém o caráter separatista de sua reunião nesta semana, quando todos os convencionais e membros comuns da denominação sabem que está em jogo o poder político e financeiro da convenção e jamais os legítimos valores do Evangelho.

Para que você, leitor, tenha uma ideia desta reunião da CGADB em Belém e seus efeitos nocivos para a Assembleia de Deus brasileira e para o bom testemunho cristão perante o mundo, é como se a CNBB organizasse um evento nacional em Belém para discutir o Círio, porém, fizesse isso longe da Catedral da Sé e da Basílica de Nazaré, sem convidar arcebispo, bispos e padres. Logicamente, isto seria uma aberração, um acinte, algo que exporia que referido segmento religioso perdera totalmente a referência do que significa a função da Igreja e do valor dos que a lideram.

Como historiador da Assembleia de Deus, pastor e membro dessa igreja há quarenta anos, conclamo que a diretoria da CGADB reconcilie-se com a história e com a Igreja-mãe, revendo sua conduta de vir a Belém afrontar a igreja que a gerou. Agora, uma vez separadas administrativamente em suas próprias convenções – CGADB e CIMADB – cabe muito bem estabelecer laços de cooperação e fraternidade entre a Convenção Geral e a Igreja-mãe. O contrário é “sacrifício de tolos”, pois o Mestre nos ensinou que, se ao levarmos nossa oferta a Ele e nos lembrarmos que temos algo a resolver com os nossos irmãos, devemos deixar nossa oferta sobre o altar, reconciliarmo-nos primeiro e só depois então reunir em convenção. O contrário é pregar contra Jesus.

É por tudo lamentável que uma liderança que começou de modo tão humilde por dois missionários suecos que chegaram a Belém no porão de um navio em 1910, e que serviram a igreja e morreram pobres, hospede hoje uma convenção geral nesta mesma cidade desprezando sua própria história. Para isto, se o argumento bíblico da reconciliação não encontrar espaço em corações de alguns convencionais, mormente da sua mesa diretora, é preciso afirmar duas coisas: que toda tentativa de modificar e desprezar a história será corrigida pela dinâmica do tempo, funcionando o intento como espécie de “marca-texto” dos legítimos fatos pelas futuras gerações e, principalmente, que nada há de escapar da justiça divina. “Reconcilia-te enquanto ainda estás a caminho” é a melhor palavra de sabedoria de Deus para a CGADB neste evento nestas terras de Belém do Pará.

 Publicado no jornal O Liberal em 9/4/19

Rui Raiol é escritor.

(Site: www.ruiraiol.com.br)