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O “escondidinho” do Senado

O final de semana foi um marco na história do Senado brasileiro. De repente, quando tudo parecia seguir o curso habitual da casa, eis uma reviravolta no processo eleitoral e a surpreendente vitória de Davi Alcolumbre.

A principal discussão era se o voto dos 81 senadores deveria ser secreto ou não. O Supremo foi acionado e seu presidente, Dias Toffoli, bateu o martelo da madrugada: a escolha da presidência da casa deveria seguir longe da luz. Então, era esperado que Renan Calheiros prevalecesse.

No sábado, os debates foram acalorados. Parlamentares usaram da palavra para dizer que votar em segredo era o que melhor atendia à democracia, porque isso deixava os eleitores livres de pressão, etc., um argumento pífio.

O voto secreto é um exercício democrático para o eleitor comum. No momento em que parlamentares são eleitos, eles representam o povo, não devem ter direito a voto secreto, seus votos devem ser claros porque não estão agindo por impulso próprio, imediato, sendo representantes de quem os elegeu. Logo, trata-se de uma excelente forma de prestação de contas com eleitores.

Em seu discurso de posse, Alcolumbre afirmou que a era das trevas será extinta no Senado durante sua administração, fazendo críticas ao Judiciário, agora co-partícipe histórico da tentativa de manter o povo brasileiro às cegas.

Não é possível mesmo que o Senado insista nesse “escondidinho” diário, precisa mudar o cardápio. O povo não suporta mais ser tratado como acéfalo. Queremos saber – pelo menos isto – quem votou em quê, é direito de cada cidadão.

A falta de transparência nas coisas públicas é uma fábrica de irregularidades, o próprio Senado provou isto quando amargou o vexame de ter 82 cédulas disponíveis para votação, que coisa! Fosse o voto aberto, bastava a manifestação expressa da vontade pela voz ou outro meio para quem não pode falar, o placar eletrônico registra o voto e povo acompanha tudo em tempo real.

A falta de luz só beneficia quem anda em trevas. Nas sábias palavras da Escritura, quem vive na prática do que é correto, aproxima-se da luz para que suas ações sejam manifestas.

Esperamos novos tempos no Brasil, agora também na casa representativa dos estados. O “escondidinho” do Senado favorece à corrupção, incentiva o jogo da meia-verdade, dissimulação, é como uma cortina de fumaça que deixa a imagem dos senadores esmaecidas. Não dá mais! 2019 pede mudanças.

Rui Raiol é escritor.

(Site: www.ruiraiol.com.br)