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Brumadinho, a morte pelo olhar da cegueira

A tragédia que enlutou o Brasil mais uma vez deixou bem clara a situação política que atravessamos. Vivemos um tempo difícil. A sociedade, dividida acirradamente durante as urnas, não revela nada de democracia agora depois da posse de Bolsonaro, temos intolerância, ofensas recíprocas e uma dose significativa de desumanidade.

             Fiquei muito impressionado com a utilização política da tragédia de Minas. Mais impressionado fiquei ao perceber que, exceto alguns robôs, foi o povo mesmo que tomou partido por A ou B. Lula e Bolsonaro dominaram as postagens, com alguma sobra para Fernando Henrique e Dilma. Pessoas digladiam-se pelas mídias sociais, acusando-se mutuamente, apontando culpados pelo rompimento da barragem. Não vi nada de aspecto técnico e concreto sobre os verdadeiros responsáveis, apenas uma discussão rasa e medíocre por alguns.

             O Brasil parece estar mudando para pior. Nosso povo, conhecido mundialmente pela solidariedade, de repente parece anestesiado para todo drama humano, preferindo interpretar fatos pelos seus caprichos políticos. Impressionante! Pessoas mortas em condição tão bárbara, e o povo levantando seus estandartes políticos, uma insanidade.

             Os apologistas políticos precisam parar com esse debate ridículo. A morte deve ser vista como morte. De repente, estamos vivendo um país extremista em nada diferente de alguns do outro lado do mundo. Um exército de brasileiros assumiu o dever de defender e acusar Jair Bolsonaro. O governo não precisa desse tipo de defesa, ele tem pessoas capacitadas para o ofício e é devidamente fiscalizado pelos órgãos de controle.

             É difícil acreditar que alguns brasileiros vangloriaram-se da morte de algumas pessoas pelo simples fato de a tragédia ter ocorrido em reduto bolsonarista, o que é isso? Navegando pelas redes sociais, pude encontrar algumas dessas postagens. Não bastasse, encontrei alguns que, no afã de rebater tamanha desumanidade, revelam-se não menos radicais e impiedosos.

             Pela lente da cegueira política, a morte é apenas um evento qualquer. Sem dúvidas, o nosso país encontra-se perdido no meio da intolerância. Ninguém pode discordar de nada. Sendo uma nação que se declara cristã, com o maior rebanho católico do mundo, as coisas deveriam ser bem diferentes. Tendo um elevado contingente de evangélicos, esperava-se outro comportamento. Infelizmente, assim estamos. Se somos um país cristão, precisamos nos converter de novo aos ensinos do Cristo.

Rui Raiol é escritor

Site: www.ruiraiol.com.br