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Siglas e cidadania

 A chegada de um novo governo revela a parafernália de siglas no serviço público. Bolsonaro bem faria em ajudar a, pelo menos, começar a resolver essa questão. Estados e municípios deveriam unir-se em prol do tema.

            A nomenclatura no serviço público parece seguir à inclinação de qualquer um, geralmente quem detém algum poder de comando. Este é um dos espaços onde o mandamento da impessoalidade administrativa é letra morta. Cada um faz o que bem entende.

Aparentemente inócua, a livre criação de siglas no serviço público atenta contra a cidadania porque afasta o brasileiro, criando um obstáculo para este conhecer e localizar com facilidade a prestação do serviço público, às vezes na sua própria comunidade. Isto é uma forma terrível de burocracia, lembrando aqui que no governo militar a coisa ficou tão séria – a burocracia – que foi criado o Ministério da Desburocratização, cujo slogan dizia que uma palavra vale mais do que muitos documentos.

Há alguns dia, precisei ir à Ufpa. Minha interlocutora informou-me que eu deveria procurar o Casmug. Fiquei pensando o que seria isso. Logo recorri ao método dedutivo, chegando a uma conclusão quase certa.

A ideia é que a nomenclatura do governo seja algo realmente oficial, estabelecido em normas, publicadas e levadas ao conhecimento da população nos espaços onde o povo realmente está ligado, principalmente mídias sociais. Para isso, basta enfatizar a área de atuação, o nível disso e a proposta voltada ao cidadão.

Para funcionar bem, a organização deve vir de cima para baixo, tendo uma só linguagem em nível federal, estadual, distrital e municipal. Saúde deve chamar-se apenas Saúde, seguindo o nível: Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde. Depois, cada unidade que desce desse topo deve seguir dizendo seu vínculo e o que faz. Não é necessário criar siglas, por exemplo: “Saúde Estadual, Atendimento”, “Saúde Federal, Atendimento”.

No começo, alguns estranhariam, porém, o passar do tempo aproximaria as pessoas mais dos serviços públicos. Por que precisamos chamar de “Upa” a serviços de saúde, se podemos simplesmente de “Atendimento”? Porque falar em Ibama, Sema e outros, se tudo é meio ambiente, bastando classificar em federal ou estadual?

Bolsonaro bem pode ajudar neste começo, retirando de circulação esse mundo de siglas no governo. Assim, em qualquer unidade da Federação, cada coisa seria exatamente como é todo o território nacional.

Rui Raiol é escritor

Site: www.ruiraiol.com.br